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Pai de morto por PMs: “Absolvição é discriminação”

Pai de morto por PMs: “Absolvição é discriminação”

O almoxarife Magdo de Moraes Santos, de 48 anos, classificou como discriminação a absolvição dos policiais militares Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima pela morte de seu filho, Igor Oliveira de Moraes Santos, de 24 anos. “É revoltante. Não tenho nem palavras. Discriminação por ser pobre e nascido na favela”, disse.

Igor foi baleado em 10 de julho do ano passado em um imóvel na favela de Paraisópolis, zona sul de São Paulo. No momento dos disparos, ele estava rendido e com as mãos na cabeça. Os jurados, cinco homens e duas mulheres, reconheceram que os policiais foram os autores dos tiros, mas votaram pela absolvição da acusação de homicídio qualificado.

Em conversa com a reportagem nesta sexta-feira (31), o pai de Igor chorou e pediu justiça. “Julgaram meu filho pelo que ele era, de comunidade, pobre, usuário de droga, morador de favela, com passagem pela Fundação Casa.” Para Magdo, os jurados ignoraram que Igor tinha uma família e era um ser humano.

O almoxarife afirmou que esperava a condenação dos agentes públicos. “Tinha certeza que iam fazer justiça, mas o pensamento [dos jurados] foi diferente: ‘Já está morto, e os policias têm que voltar para a família deles’”, disse. Ele contou que nasceu e foi criado em Paraisópolis e que a comunidade é formada por pessoas de bem. “Uma tremenda covardia. Crueldade. Creio na palavra de Deus que a justiça seja feita. Vou lutar até o fim. Pai que é pai vai até o inferno pelo filho.”

O julgamento terminou na noite de quinta-feira (30) no Fórum da Barra Funda, na zona oeste, e começou na terça-feira (28). Após os depoimentos e os argumentos das partes, o júri, formado por sete cidadãos comuns, respondeu aos quesitos do juiz. Primeiro, reconheceu a materialidade e a autoria, com base em imagens de câmeras corporais que mostram os disparos no quarto da casa. Em seguida, por maioria, decidiu pela absolvição. Os jurados não precisam explicar o voto, apenas responder objetivamente às perguntas.

Desde 1996, casos de crimes dolosos contra a vida envolvendo policiais militares são julgados na Justiça comum, em júris populares. Antes, os processos eram analisados pela Justiça Militar. A defesa dos policiais afirmou que o júri reconheceu a legítima defesa. “Fizemos uma análise bastante técnica de tudo que circundou as imagens, pois elas mostravam só uma pequena parte da ação”, disse o advogado João Carlos Campanini.

O Ministério Público recorreu da decisão. Os advogados Gabriela Amoras, Jonatha Carvalho Matos e Wilson Zaska, que representam a família de Igor, também pediram recurso por entenderem que a decisão é contrária às provas. Eles classificaram a morte como “uma execução sumária praticada durante uma ação policial ilegal” e disseram confiar que o Tribunal determinará um novo julgamento. Os policiais estavam detidos no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo, e serão soltos.

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