A Moody’s avalia que o Novo Desenrola Brasil, programa federal de renegociação de dívidas, pode contribuir para a redução da inadimplência no país. O vice-presidente e analista sênior da Moody’s Ratings, Lucas Viegas, afirmou que a iniciativa apoia uma normalização gradual da qualidade dos ativos no segmento de varejo.
Segundo a Moody’s, o impacto nos resultados dos bancos deve ser moderado e desigual, pois depende do número de pessoas elegíveis e se os pagamentos renegociados serão mantidos ao longo do tempo.
O governo informou que o Novo Desenrola Brasil pode oferecer descontos médios de 65% nas dívidas das famílias. Para viabilizar esses descontos com as instituições financeiras, o governo garantirá operações com o Fundo Garantidor de Operações (FGO), com limite de até R$ 15 bilhões.
O programa busca enfrentar o endividamento recorde das famílias, que chegou a 49,9% em fevereiro, conforme dados do Banco Central.
O governo dividiu o Novo Desenrola em quatro eixos: famílias, empresas, devedores do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e pequenos agricultores familiares.
Na ação voltada às famílias, com maior abrangência, os descontos variam de 30% a 90% para dívidas contraídas até 31 de janeiro, incluindo cheque especial, rotativo e parcelado do cartão de crédito e crédito pessoal sem consignação. O benefício é para pessoas com renda de até cinco salários mínimos, ou R$ 8.105 mensais.
Quanto mais antiga a dívida, maior será o abatimento. As renegociações ocorrerão nos próximos 90 dias, diretamente nas plataformas dos bancos participantes.
