Pelo segundo ano consecutivo, o presidente Lula não participa dos atos sindicais do 1º de Maio. A decisão busca evitar expor o petista, pré-candidato à reeleição, a um novo desgaste de imagem após a baixa adesão registrada em 2024 no ato em Itaquera, zona leste de São Paulo.
Após uma semana de derrotas do governo no Congresso, movimentos de esquerda apostam no fim da escala 6×1 para pressionar o Legislativo. A relação com o Congresso se tornou mais tensa depois da rejeição à indicação de Jorge Messias ao STF na quarta (29) e da derrubada do veto ao PL da Dosimetria na quinta (30).
A principal aposta da esquerda será a defesa do fim da escala 6×1, aprovada por 71% da população, segundo o Datafolha. O governo enviou um projeto de lei há duas semanas propondo a redução da jornada para 40 horas semanais sem diminuição de salário, em tramitação mais rápida que a PEC da escala 4×3, da deputada Erika Hilton (PSOL-SP).
O receio de baixa adesão fez com que as manifestações não fossem centralizadas em 2026, como acontecia desde 2018. A exceção será o Rio de Janeiro, com ato marcado para as 14h na praia de Copacabana. Em São Paulo, as frentes reunirão políticos próximos a Lula para enviar um recado ao Congresso.
“A classe trabalhadora está fungando no pescoço dos deputados para que a lei passe”, disse Moisés Selerges, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e pré-candidato a deputado federal pelo PT-SP. O sindicato, berço político de Lula, organizará um dos principais atos em São Bernardo do Campo a partir das 9h, com apresentação de Glória Groove.
Às 16h, o ato do ABC deve contar com os ministros Luiz Marinho (Trabalho) e Guilherme Boulos (Secretaria-Geral), além do presidente do PT, Edinho Silva, e do ex-ministro Fernando Haddad, pré-candidato ao governo paulista. Haddad se juntará a Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) no ato da Força Sindical às 8h, na sede do movimento no bairro da Liberdade.
O movimento VAT (Vida Além do Trabalho) reunirá manifestantes na praça Roosevelt às 9h em defesa da redução da jornada, com participação de Erika Hilton e do vereador carioca Rick Azevedo (PSOL). O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, defendeu a descentralização dos atos e classificou o fim da escala 6×1 como “um clamor geral da classe trabalhadora brasileira”.
Grupos de direita também se mobilizam: Patriotas do QG, Marcha da Liberdade e Voz da Nação promovem ato na avenida Paulista a partir das 11h. Os movimentos apoiam a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pedem a liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro e se posicionam contra o fim da escala 6×1. O senador Marcos Do Val (Podemos-ES) confirmou presença. O Patriotas do QG divulgou um vídeo com inteligência artificial simulando um convite da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP), presa na Itália.
