As vias públicas do Distrito Federal registraram aumento nos flagrantes de corridas clandestinas. Dados do Detran-DF mostram que, de janeiro a maio, o número de infrações saltou de 114, em 2025, para 147, em 2026. A alta de 28,95% representa uma média de quase um caso por dia nos primeiros cinco meses do ano.
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) não usa o termo “racha”, mas enquadra a conduta nos artigos 173 e 174, que tratam de “disputar corrida” e “promover competição”. Entre janeiro e maio de 2026, ações do Detran, do DER-DF e da PMDF autuaram 10 infratores por disputa direta de corrida.
No mesmo período de 2025, o Detran registrou oito autuações desse tipo, de um total de 18 ao longo de todo o ano passado. Motoristas flagrados no artigo 173 recebem autuação gravíssima. A punição inclui suspensão do direito de dirigir, recolhimento da habilitação, remoção do veículo e multa multiplicada por 10, que dobra em caso de reincidência em 12 meses.
As mesmas penalidades valem para quem promove ou participa de eventos e manobras perigosas sem autorização (artigo 174), tanto para condutores quanto para organizadores. Somando todas as infrações ligadas a corridas clandestinas, o DF teve 114 autuações entre janeiro e maio de 2025 (313 em todo o ano) e 147 nos primeiros cinco meses de 2026.
O racha também é crime pelo artigo 308 do CTB. As penas variam de seis meses a três anos de detenção para disputas sem feridos, de três a seis anos de reclusão em casos com lesão grave, e de cinco a 10 anos se houver morte.
Para Leonardo Sant’Anna, especialista em segurança pública e professor do ISCP, a lei atual falha por permitir fiança e resposta em liberdade. “Quando há a percepção de falta de aplicação da lei, o infrator nota que a legislação é fragilizada e que não haverá consequências reais”, disse. Segundo ele, a impunidade reforça o comportamento do grupo.
Sant’Anna avalia que a discussão sobre endurecer a pena com regime fechado e confisco de bens é precoce. “Talvez o regime fechado nem sequer incomode esse perfil de infrator. A análise deve incluir aspectos financeiros e processos de reeducação”, afirmou.
O especialista aponta as redes sociais como o maior impulsionador do crime no DF. A exibição em Instagram e TikTok transformou o racha em espetáculo digital. Ele defende uma atualização na lei para que divulgar vídeos ou aceitar desafios na internet funcione como agravante na pena.
Em nível nacional, tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 7235/25, do deputado Amom Mandel (Cidadania-AM). A proposta cria o Programa Nacional de Prevenção e Combate às Corridas Ilegais, com o objetivo de reduzir acidentes e mortes causados por manobras perigosas.
O Detran-DF informou, em nota, que a Diretoria de Policiamento e Fiscalização de Trânsito realiza ações rotineiras de patrulhamento em todo o DF. A Diretoria de Educação também promove campanhas de conscientização sobre práticas seguras no trânsito, incluindo o respeito aos limites de velocidade.
